Certa vez, num banheiro público, havia um poema:
Não há limites para a mente doentia de um ser humano
Muito menos para a criatividade de um autor.
Jantar Secreto está na minha lista há algum tempo. Como faço vez ou outra, coloquei-o como prioridade em minha
wishlist, e literalmente devorei-o. Meu Deus, que livrão da porra. Valeu a pena, valeu
muito a pena. Foi meu primeiro livro de Raphael Montes, e agora o motivo de o autor ser tão venerado: ele tem talento de sobra.
Antes de tudo, um lembrete sobre a edição: que livro lindo! Capa branca, bordas das páginas vermelhas. Se isso não é motivo o bastante para te fazer comprar o livro, leia a resenha. Garanto que, no fim do texto, já vai querer estar com seu exemplar em mãos.
O livro conta a história de quatro amigos que deixam o interior do Paraná e se mudam para o Rio de Janeiro, naquele comum sonho de seguir a vida na cidade grande. Dante, o narrador da história; Leitão, um hacker obeso (por ironia, Leitão não é um apelido, mas seu sobrenome); Hugo, que nutre o desejo de ser
chef de cozinha; e Miguel, que sonha em ser médico.
Durante um tempo, tudo vai de vento em popa, mas as coisas começam a apertar. Empregos ruins, aluguel do apartamento cada vez maior. Não há muito a ser feito, exceto por uma brilhante ideia, baseada no
Enigma da Carne de Gaivota: eles decidem servir um jantar de luxo, mas não é um jantar qualquer. É um jantar de
carne humana. É, meus amigos. Eles começaram a servir
Bumbum Gourmet. No começo, serviu para pagar as dívidas, o objetivo inicial do jantar, mas os jovens passaram a gostar daquilo. Aquela era uma mina de diamantes negros ainda não explorada, que os deixariam ricos da noite para o dia, ainda mais com Umberto, um dos primeiros convidados e um homem de grande nome no mercado, oferecendo-se para juntar-se à equipe Carne de Gaivota.